Refletindo...

"Se houver um caminho entre aquele que marcha e o objetivo para o qual tende, há esperança de o atingir; se faltar o caminho, de que serve o objetivo?"
(Textos Cristãos)

Páginas

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Estranho amor



Como por encanto... sorrateiramente...
ele surgiu sem licença de chegar
Invadiu meus pensamentos, roubou-me o sossego
Quanto mais me aproximo mais ele se afasta
Quando parto, ele vem
Seguimos a dança sem par
Confunde-me com palavras doces, gentis
Beija minha alma, me faz arder em chamas
Ama-me como a nenhuma outra igual
Sou o porto seguro de tua nau
lançada ao vento em mar turbulento
Sou a calma, a outra metade
O sonho perfeito
de tua estranha forma de amar
Não conheço teu rosto
Nem sei exato teu nome
Quem és tu, afinal?
Mistérios ou trevas... Aonde vais?
Quebra tuas algemas, rompe teus grilhões
desnuda-te
Rasga as cortinas do templo proibido
Faz do encontro um oásis
Vem... sem receio
Em meu colo terás o alento
Em meus beijos a fome saciada.

-Dora Vitoriosa-

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Hoje


Invoquei os deuses para me ajudarem a compor um poema para ti. Roubei de Orfeu sua lira, porém, Bóreas impediu que as notas de minha canção rude chegassem aos teus ouvidos. Viajei no tempo na esperança de receber ajuda de quem cantara o amor sem igual: Homero...Camões...Byron e tantos outros da mesma estirpe - nenhum atendeu ao meu pedido suplicante. Em Hipocrene fui informada de que havias passado por lá, recuei pensativa...Certamente a uma musa inspiradora fora concedido o poder de embalar teu sono com uma linda canção de “Feliz Aniversário!”.
-Dora Vitoriosa-

Mulher


Mulher brejeira, parida no mato
Filha da sorte, irmã da coragem
De sinhozinho só tens atenção do humano coração
Não sonha, segue tua labuta
Afugenta teus demônios que corroem teu espírito
Mulher de fibra, rir
Pois nas entranhas geraste a vida
Fadada a não encontrar o amor
Arrebata das chagas a força para sobreviver
Num universo de tantas iguais a ti
Mulher descalça, sem calça
sem cultura, preguiça ou fidalguia
Compõe na desgraça um canto de ninar
Uma espada no peito, arranca... estanca...
“ele” não virá...

-Dora Vitoriosa-

domingo, 26 de junho de 2011

BRAVO SABIÁ



Hora da sesta, cidade interiorana onde ainda se sente o clima nostálgico desse horário que alguns se dão o privilégio do descanso após o almoço. Privilégio esse que há muito saiu de minha rotina, pois o trabalho me consumiu esse prazer, porém fui compensada por outro tão agradável quanto a sensação de relaxamento depois de algumas hora de sono.
Nesse momento estou em minha oficina de costura e através da janela contemplo uma cena nada comum aos dias de hoje, se considerarmos o corre corre urbano que nos rouba pequenos prazeres que podem parecer insignificantes, mas fazem muita diferença quando ainda preservamos em nós o doce prazer de apreciar a natureza e repensá-la através do canto de um pássaro.
Pois é, ele está lá todos os dias às mesmas horas cantando e encantando, enchendo de magia esse momento que fica tão raro a cada dia. Ele me convida para viajar no tempo em busca das reminiscências de minha vida pueril; e lá vou eu.
Ah que saudade dos tempos de escola, ou melhor, do caminho da escola quando a criança podia ir e vir sem o perigo humano a rondar-lhe, vento batendo no rosto, sol a pino, a cidade meio adormecida pela nostalgia do momento, vendedores ambulantes gritando pão doce, picolé, pirulito e outras guloseimas enquanto um ou outro galo anunciava com um cocoricó que também compunha essa sonata que agora só existe em minha lembrança despertada pelo canto do meu bravo sabiá visto de minha janela.
Por quanto tempo ainda terei o prazer da companhia do pequeno artista e de sua cantata saudosista? Temo pela vida dele, receio um dia acordar e ver que esse lugar mágico, composto de uma casa abandonada invadida pela vegetação rasteira e uns entulhos de construção, além da árvore onde pousa minha ave canora para dar seu espetáculo, tenha desaparecido vítima do progresso.

Rubinha Lemos




Conflitos da alma


Ele observa da sacada de seu apartamento que a praia está vazia, o brilho da lua reflete nas ondas que se erguem ameaçadoras para morrerem nas areias brancas a formarem imagens de um cenário que se tornou comum para ele. Emocionalmente perturbado, abre uma gaveta da cômoda, pega um envelope amarelado pelo tempo, põe no bolso da bermuda e caminha em direção à sua companheira muda de tantas noites iguais – uma pedra onde costumeiramente senta-se para olhar o mar e relembrar com saudades os anos vividos ao lado da mulher que mais amou na vida.
A escuridão refletida em sua alma é acentuada pelo vento forte trazido pelas ondas do mar tornando-se neste instante o mensageiro das lembranças que em vão tenta esquecer. O coração aperta e as lágrimas rolam em seu rosto. Não consegue perdoar a si mesmo por ter rompido um relacionamento de tantos anos. Abre a carta e reler atentamente cada línea de um longo texto romântico e apaixonado – é que ela lhe escreveu durante um período em que estiveram distantes um do outro. Ele sabe onde ela vive, mas não deve procurá-la por razões que ele mesmo desconhece.
Mais uma onda se aproxima e ele mergulha e a cena se repete por vários metros, como se aquela água salgada pudesse tirar de sua alma a dor daquela tarde em que ele foi um tolo ao deixar seu amor partir chorando depois de lhe dizer adeus. Será se em algum lugar ela também pensava nele? Nunca obteria a resposta para tal pergunta
Deitado na areia ele perde a noção do tempo entregue aos seus pensamentos e mais uma vez observa aquele universo mágico e frio que o cerca: o mar... a lua... a noite escura. Além da voz interior que o condena, tem o barulho das ondas que mais se parecem murmúrios. Levanta-se e vai pegar a carta que deixou sobre a pedra. Só então percebe que alguém o observava e caminha a passos apressados em sua direção.

-Dora Vitoriosa- e Rubinha Lemos


Não entendo como conseguimos escrever tais linhas diante de tão diferentes estilos que temos, mas considere que uma de nós despiu-se de si e mergulhou no mundo da outra. Qual das duas despersonalizou-se cabe a você descobrir, caro leitor, se assim desejar.
Confesso que as letras não é meu forte, aliás até agora não me descobri, mas diante da tarde maravilhosa regada a café e grão de bico, além de um caqui como sobremesa senti-me inspirada para ajudar minha pobre amiguinha em seus delírios românticos.
Para encerrar deixo-lhes um conselho, troquem o grão de bico por feijão cozido e o café por uma deliciosa  coca cola bem geladinha, rsrs.  
Ósculos e amplexos bem à moda antiga...

Rubinha Lemos

Amo...

Mr. Darcy: Você é muito generosa para troçar de mim. Acredito que falou com minha tia na noite passada e isso restaurou em mim uma esperança a qual nunca me permiti antes. Se seus sentimentos ainda são os mesmos, diga-me de uma vez. Minha afeição e desejo não mudaram. Mas uma palavra sua me silenciará para sempre. Se, contudo, seus sentimentos mudaram, eu devo dizer, que você enfeitiçou meu corpo e alma e eu a amo, a amo, eu a amo. Anseio que não fiquemos separados a partir de agora.

Duas Grandes Obras Juntas

A consciência de amar e ser amado traz um conforto e riqueza à vida que nada mais consegue trazer.

(Oscar Wilde)